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Borealis nos Pirenéus – edição Euskadi

Maio nos Pirenéus

Trekking nos majestosos Pirenéus

Soube bem começar a nossa aventura, com um trekking ao longo do rio Ebro e pelo desfiladeiro que é uma verdadeira obra de arte que o próprio rio construiu.

As suas águas ao reagirem com a rocha calcária originaram colunas, e formações que fazem lembrar monumentos. Das grutas saiam aves de rapina cruzando o céu azul. Não era necessário estarmos atentos ao piso pois caminhava-se sobre a erva fofa e sem desníveis o que contribuiu para contemplar com calma toda a beleza. Um lindo e enorme tronco de faia todo retorcido e com covas que mais pareciam bancos de madeira, atraiu os companheiros para uma divertida foto.

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Chegados a Orbaneja del Castillo, ficámos maravilhados com a cascata de Cueva del Agua que atravessa a povoação de 47 habitantes e cai de 25 metros de altura sobre o rio Ebro. Este local é de uma beleza que nos deixa sem palavras. O som da água caindo por entre as rochas de onde surgem as lindas casinhas, invade-nos de tranquilidade.

O kilómetro zero do Caminho de Santiago

De Roncesvalles partimos para a travessia da cordilheira dos Pirenéus até ao quilómetro zero do caminho de Santiago em Sant Jean de Pied de Port.

Foi percorrido por povos celtas, romanos, suevos e visigodos lutando pela Reconquista. Foi palco de batalhas onde morreram soldados do exército de Carlos Magno. E se estes caminhos serviram para combater e conquistar, desde o século X até agora, servem para unir as nações europeias e são percorridos por milhares de peregrinos. Começamos com uma longa e difícil subida por entre bosques de faias cuja sombra e ar fresco ajudaram a repor a energia. Que este caminho está impregnado de uma mística energia; cruzamo-nos com peregrinos de todos os cantos do mundo, brasileiros, japoneses, europeus e com quem trocávamos algumas palavras além do “ bueno caminho”. Nas mochilas e roupa do corpo não faltavam os símbolos do caminho, a concha pendurada.

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Reflectimos sobre a essência da nossa existência terrena que é tão efémera. Todos vamos em busca de algo……. talvez o sentido para a vida…….. de um caminho para pacificar a nossa mente e coração………. expiarmos os nossos pecados e tornarmo-nos melhores pessoas…….. ou simplesmente o lazer e aventura ou de tudo um pouco. E algum tempo passado, chegámos à fonte de Roland onde enchemos as nossas garrafas de água e em cujo local, reza a lenda, apareceu Santiago num cavalo branco a Carlos Magno avisando-o da invasão da Península pelo Almançor comandando um exército de muçulmanos. O santo indicou-lhe o caminho para Santiago de Compostela.

Contemplamos ao longe a cordilheira pirenaica e os pastos verdes com ovelhas de cabeça, patas e traseiro negros. A paisagem é bucólica, os montes de cumes arredondados estão alcatifados de uma erva verdinha e nos sopés surgem casas com algumas árvores de copa redonda. O Caminho está bem sinalizado, com informações úteis para os peregrinos e de onde em onde surgem os albergues. Fizemos uma festa ao chegarmos ao arco da porta de Espanha, o quilómetro zero de onde partem os peregrinos e fotografamos o momento. Estávamos em Saint Jean de Pied, uma bonita localidade de construções antigas de pedra e que mereceu a nossa visita.Borealis_xpd_Pireneus Euskadi_2016  saint jean

Caminhar na mágica selva de Irati

Também fomos para a selva de Irati, que é a segunda floresta de faias mais extensa da Europa a seguir à Selva Negra da Alemanha. Foi fantástico. É um verdadeiro santuário da Natureza. As faias enormes com as suas folhas de um verde “alface” luxuriante, filtram a luz do sol e criam uma atmosfera de uma penumbra com luz verde, tudo rodeado de uma enorme frescura. E do chão atapetado de folhas secas surgem novas faias. Lesmas negras e castanhas surgem a cada passo. É possível ver Insetos de formas variadas e engraçadas. É uma floresta encantada protegida pelo Basajaun, uma personagem lendária. Passámos numa zona da floresta que é virgem, não há nenhuma intervenção do homem. Enormes troncos caídos atravessavam-se no caminho à espera de se decomporem. De onde em onde, surgiam uma espécie de orquídeas roxas e talvez devido a fungos alguns galhos no chão tinham tonalidades azuis. É mesmo mágica esta floresta. E o cenário era completado pela melodia da água correndo e o chilrear de pássaros.

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Descobrindo os encantos de Pamplona

A noite foi de folia em Pamplona. Uma noite muito animada com as ruas cheias de gente de todas as idades, estilos informais, convivendo, comendo pintxos (tapas) e bebendo uns copos de xiquito (vinho) e zorritos (cerveja). Saboreamos em bares típicos os “escombros”, os “huevos rotos”, o “rabo de buey estofado”, etc tudo feito com arte, explosão de cores e odores para despertar o apetite, numa mistura harmoniosa de enchidos, queijo, cogumelos, pimentos e outros ingredientes não identificáveis. A iluminação de alguns monumentos realça a sua beleza, particularmente o edifício da Câmara.
E no último dia foi a despedida dos Pireneus. De manhã fizemos um trekking pela linda cidade de Pamplona orientado pela Borealis que nos mostrou a parte histórica, edifícios com vários estilos arquitetónicos para os quais contribuíram os Caminhos de Santiago. Tomámos café no emblemático café Iruna e visitamos o cantinho onde o Ernest Heminguay escrevia e onde estão fotos e uma escultura em sua memória.

Um muito obrigado e viva a Borealis!

M.D

Borealis_xpd_Pireneus Euskadi_2016  pamplona

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